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sábado, outubro 1, 2022

Surdez canina desafia tutores

Principal causa da perda de audição nos cães é congênita, um cenário que vem mudando com o aumento da expectativa de vida dos cães, que dobrou nas últimas décadas

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O adestramento canino é sempre um grande desafio para tutores. Ter um cãozinho educado, dócil e feliz exige paciência, conhecimento, dedicação e, muitas vezes, apoio de especialistas para conseguir chegar aos objetivos desejados. Esta situação fica ainda mais desafiadora se o animal tiver alguma perda sensorial, entre elas, a surdez.

A boa notícia é que, da mesma forma que os cães saudáveis, com o adestramento adequado, cães surdos podem se tornar equilibrados e felizes. Melhor ainda é saber que não importa a idade ou a raça do pet, sejam eles filhotes ou adultos com surdez congênita (“de nascimento”), ou que tenham adquirido surdez a partir de alguma doença, ou mesmo aqueles que acabam perdendo a audição pela idade avançada.

Para entender melhor a incidência de surdez congênita na população canina, um veterinário da Escola de Medicina Veterinária, na Universidade de Louisiana conduziu o estudo Breed-Specific Deafness Prevalence In Dogs. Depois de testar 10 mil cães de 14 raças, a pesquisa concluiu que a raça com maior incidência de surdez congênita são os Dálmatas, que têm 28% de probabilidade de nascerem com surdez unilateral ou bilateral.

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A psicóloga especialista em Comportamento Animal, Carolina Jardim, explica que um cão acometido pela surdez pode desenvolver comportamentos que comprometem não só a sua saúde e qualidade de vida, mas também de toda a família tutora. “Muitas vezes, a surdez não é identificada, mas ela pode ser a causa de agressividade, ansiedade, ou até mesmo uma aparente falta de atenção do cão por seus tutores”, afirma Carolina.

Desde 2009, quando fundou a Turma do Focinho, ela se dedica à pesquisa sobre problemas comportamentais e comunicação com cães surdos e ao trabalho de atendimento direto de tutores para ajudá-los no dia a dia com seus cães, a partir de um programa idealizado por ela ao longo desses 13 anos.

“Nesse período, já atendemos, mais de 60 cães surdos aqui no Brasil e até em outros países. Como a raça com maior incidência de surdez congênita são os Dálmatas, eles são maioria entre os cães que atendemos”, explica Carolina.

Essa realidade, porém, tende a mudar. Nas últimas décadas, a expectativa de vida dos cães praticamente dobrou e, com isso, cada vez mais tutores passaram conviver com um novo desafio: a idade avançada do seu pet. “Assim como entre os humanos, o aumento da sobrevida trouxe, como desafio, o fato de que muitos cães passaram a ter perdas sensoriais com o avanço da idade, principalmente na audição e na visão”.

O tratamento destinado ao cão idoso difere em vários aspectos daquele destinado a cães que nascem surdos. Quando a surdez chega por conta da idade, o animal começa gradualmente a apresentar diferenças de comportamento e demonstra dificuldade para se adaptar às atividades de rotina. Para Carolina, este é o melhor momento para identificar a causa e, constatada a surdez, estabelecer uma nova forma de comunicação, para ajudá-lo a se adaptar a um novo modo de estar no mundo, sem um dos sentidos.

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É fundamental que todas as pessoas que já tenham convivido, ou venham a conviver com um cão surdo, saibam que, independentemente da raça, idade, ou se a surdez é de nascença, se foi adquirida, eles podem ser cães extremamente equilibrados. Eles precisam, sim, de uma dedicação maior, adaptações na rotina, na comunicação e, principalmente, motivação por parte dos tutores para aprender como fazer tudo isso.

Mas, são cães muito especiais, que, segundo a especialista, estabelecem uma conexão única com seus tutores. “Uma vez que você tem um cão surdo, você sempre vai querer ter um. É o meu caso. Posso dizer que conviver com cães surdos faz parte do que sou como profissional e como mãe de cachorro. Eles nos ensinam uma forma de amor que é difícil colocar em palavras. A experiência vale cada segundo de dedicação”, finaliza Carolina.

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